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III. O SERMÃO DO FOGO

III. O Sermão do Fogo (The Fire Sermon) O título da parte III do poema-- “O Sermão do Fogo” --refere-se ao sermão budista que prega contra as paixões humanas, contra os fogos da luxúria, raiva, inveja etc (108). Considerando os versos desta parte do poema, trata-se aqui especialmente da luxúria. Segundo nota de Eliot ao v. 308, o Sermão do Fogo corresponde em importância ao Sermão da Montanha cristão. O homem arde em paixões, é dominado por elas, e para evoluir precisa libertar-se dessas paixões. O local da ação é Londres, e o rio referido é o Tâmisa. O verso inicial refere-se ao outono, quando as folhas caem, pois “A tenda do rio se rompeu; /.../” (The river’s tent is broken; /.../- v. 173). “Tenda” tem uma conotação bíblica. Segundo Southam, no Velho Testamento, pode significar tabernáculo ou santuário. Originalmente a tenda era um tabernáculo portátil, levado pelas tribos de Israel no deserto (109). Logo no início se estabelece um contraste (implícito) da situação at...

IV. MORTE PELA ÁGUA

IV. Morte pela Água (Death by Water) A parte IV do poema é a mais curta de todas, apresentando apenas dez versos. Refere-se à morte por afogamento de Flebas, o Fenício, já antecipada por Madame Sosóstris quando tirou de seu baralho a carta do Marinheiro Fenício afogado (v.47). Essa “é a sua carta”, ela disse, dirigindo-se ao consulente, ou a todos nós, que também devemos morrer nesta Terra Desolada a fim de renascermos nela para uma outra vida, como ocorre na primavera. A parte IV nicia assim: Phlebas the Phoenician, a fortnight dead, Forgot the cry of gulls, and the deep sea swell And the profit and loss. (vv.312-4). (Flebas, o Fenício, morto há quinze dias,/ Esqueceu o grito das gaivotas, o mar profundo intumescido/ E os lucros e perdas) Note-se o efeito subliminar de duas palavras empregadas no v. 313, quando associadas ao verso anterior. Trata-se de “cry”, em “the cry of gulls” (o grito das gaivotas), e “swell”, em “the deep sea ...

V. O QUE DISSE O TROVÃO

V. O Que Disse o Trovão ( What the Thunder said) Nas notas de Eliot relativas à parte V, o poeta afirma que, na primeira seção dessa parte (que se estende do seu verso incial, v. 322, até o v. 394), três temas são explorados: 1) a jornada a Emaús (o episódio relatado nos Evangelhos); 2) a aproximação à Capela Perigosa (na qual o cavaleiro em busca do Graal deve entrar) e 3) a decadência “presente” (em 1922) do Leste Europeu. Assim, os versos referem-se aí à morte de Deus na Terra Desolada (seja o deus da fertilidade do passado ou de Cristo, deus para os cristãos) e à nossa própria morte, uma vez que também “estamos morrendo” (v. 329) nessa Terra. Não há nela água, só rocha, e aquele que a atravessa cansado e sedento chega a delirar, vendo uma cidade nas montanhas explodindo, torres caindo, morcegos com caras de bebês etc (vv. 367-85). A sede do viajante simboliza a aridez espiritual dessa Terra, que é a do mundo de então (e do nosso), pois Eliot, em nota, associa aos vv. 367...

NOTAS

(1) Traversi,Derek--“T.S.Eliot-The Longer Poems”.The Bodley Head,1976, p.11. (2) Ascher, Nelson—artigo “The Waste Land é símbolo da poesia moderna” in “Folha de S. Paulo”, 13 de abril de 1991. (3) Kenner, Hugh--- “The Waste Land” in “The Invisible Poet: T.S. Eliot”. London: University Paperbacks. Methuen, 1959- p.137. (4) Bradbury, Malcolm—“O Mundo Moderno: Dez Grandes Escritores”. S.Paulo: Companhia das Letras, 1989- pp. 160 e 173. (5) Paulo Francis afirma no artigo “Centenário do maior poeta do século” (in “Folha de S. Paulo”, 24 de setembro de 1988) que há 46 citações não atribuídas no poema. Quanto às atribuídas, contei 31 autores ou fontes mencionados nas Notas que Eliot anexou a ele: Jessie L. Weston, James Frazer, a Bíblia, librettos das óperas (de Wagner) “Tristão e Isolde” e “Crepúsculo dos Deuses”, Baudelaire, Dante, John Webster, Shakespeare, Virgílio, Milton, Ovídio, Thomas Middleton, Edmund Spenser, Andrew Marvell, John Day, Verlaine, Safo, Oliver Goldsmith, Christ...